Exportação de Búfalos para Venezuela
DO PARÁ PARA A VENEZUELA
Os primeiros 1.357 búfalos exportados pelo Pará para a Venezuela foram embarcados na sexta-feira, dia 22 de fevereiro de 2008, pelo porto de Vila do Conde, em Barcarena, pelo empresário Eduardo Daher, da Agropecuária Kakuri. Todos os animais são destinados à reprodução, sendo a maioria formada por garrotas e novilhas prenhas, incluindo 100 matrizes de leite com produção controlada e dez reprodutores de excelente linhagem.
Segundo Daher, este embarque foi possível graças ao acordo bilateral assinado pelos presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Hugo Chaves, durante a visita oficial de Lula à Venezuela em dezembro passado. “As autoridades venezuelanas acreditam que, com a exportação, os dois países saem fortalecidos e querem com essa iniciativa promover o resgate da pecuária venezuelana, com o objetivo maior de produzir leite, hoje em falta no seu país”, afirma ele.
Eduardo Daher ressalta que a exportação de gado vivo é a nova tendência do setor pecuário nacional, pois a prática beneficia os produtores, que têm mais uma opção de negócio, além da venda para os frigoríficos brasileiros, o que tem contribuído para elevar o preço pago pelos animais no mercado interno. No ano passado o Pará foi responsável por 95% das exportações brasileiras de bois vivos, com a comercialização de cerca de 350 mil animais, o equivalente a US$ 255 milhões. Só para a Venezuela o Pará exportou o equivalente a US$ 195 milhões, muito acima do US$ 1,5 milhão exportado em 2006.
“O primeiro passo já foi dado, com muita luta, com muita dificuldade. Essa exportação para a Venezuela é um marco importante para a bubalinocultura brasileira e abre novos mercados para o setor”, festeja Daher, “A exportação de gado vivo não é tradicional no Brasil, até por questões sanitárias. O Líbano e outros países árabes são tradicionais importadores de gado em pé, mas importam especialmente gado branco para corte.
No caso, o interesse da Venezuela é por animais para reprodução, portanto a seleção é muito mais criteriosa. Não temos notícia de nenhuma outra recente exportação de matrizes leiteiras bubalinas daqui da região para qualquer outro país. Portanto, o trabalho que desenvolvemos em nossa fazenda baseado no tripé genética, sanidade e tecnologia foi decisivo na escolha feita pelo importador”, garante o bubalinocultor do Pará.
Parceria
Ele afirma ainda que, com base nos acordos firmados entre Brasil e Venezuela, foi possível estabelecer um trabalho de parceria do criador brasileiro com pecuaristas venezuelanos. Para que a exportação fosse autorizada, o gado permaneceu em fazendas de quarentena, cumprindo um protocolo sanitário extremamente rígido, onde foi realizada uma série de vacinações e exames sanitários. Tudo com acompanhamento de médicos veterinários e das autoridades sanitárias do Pará e da Venezuela, que vieram acompanhar o embarque no Pará. A equipe era integrada por Jesus Lopes Mota, veterinário venezuelano de larga experiência, que já realizou outras 34 quarentenas ao redor do mundo, inclusive no Brasil.
Eduardo Daher explica também que as dificuldades para a realização do protocolo sanitário foram muitas, em função da bateria de exames e vacinas exigidas. O laboratório regional, mesmo sendo de excelência e com reconhecimento nacional, apresentou limitações de pessoal e equipamentos para realização de alguns exames, tanto que obrigou o pecuarista a trazer do Rio de Janeiro um profissional especializado para realizar alguns exames mais específicos.
Além disto, mesmo em São Paulo, onde foi realizada uma parte dos exames, houve falta de reagentes, devido à elevada quantidade demandada. Uma importação de emergência teve que ser realizada para atender a exportação.
Alguns descartes foram realizados ao longo da quarentena, segundo Daher para que o padrão dos animais pudessem ser o melhor possível e duas novilhas se acidentaram no período e tiveram que ser sacrificadas. Após a quarentena, o gado selecionado para exportação saiu das fazendas em caminhões desinfetados e lacrados, diretamente para o porto de Vila do Conde, onde um navio apropriado já aguardava os animais. Este navio, de bandeira libanesa, é dividido em pequenos currais em vários andares, onde os animais recebem ração balanceada e silagem em cochos apropriados e água nos bebedouros.
“Todo o piso é forrado com feno e serragem para oferecer maior conforto aos animais durante a viagem. Tudo funciona como se fosse um confinamento móvel, ao qual o búfalo se adapta muito rapidamente. A ração balanceada foi preparada em uma fábrica em Belém, especificamente para atender as necessidades dos animais neste período, junto com a silagem, com folga eventual para mais dois dias. Durante a viagem, os animais são cuidados pela própria tripulação e por técnicos pecuaristas”, destaca Daher.
Dificuldades
O fechamento do porto de Belém para embarque de gado, devido a medida judicial que proibiu essa atividade dentro da cidade, foi outra dificuldade enfrentada pelo proprietário da Kakuri. “Essa medida foi anunciada dois dias antes do embarque, quando já possuíamos programação de atracação do navio que se encontrava ao largo. Esta mudança de estratégia de última hora acarretou atraso no embarque, que acabou por ser mais complicado e mais demorado, uma vez que o porto de Vila do Conde passou a receber também os navios de carga de animais vivos”.
O píer do porto de Barcarena, ressalta Daher, é muito mais alto que o do porto de Belém e os pequenos navios de boi não conseguem operar por 24 horas seguidas, pois na maré baixa, a porta do navio fica abaixo do nível do píer. “Em épocas de lua cheia, essa dificuldade aumenta, pois as marés são ainda mais pronunciadas. Por isso houve várias interrupções no carregamento do navio. A tudo isto, devemos lembrar que nesta época do ano, temos um período de chuva muito acentuado, que atrapalha sempre qualquer atividade”.
Melhoramento genético.
Ao longo dos últimos anos a Agropecuária Kakuri vem investindo em melhoramento genético de búfalos, em parceria com a Universidade Federal do Pará. Por quatro anos seguidos investiu na produção de embriões e fertilização in-vitro.
Dhar informa que atualmente o rebanho brasileiro está estimado em mais de três milhões de cabeças, segundo estimativas não oficiais, O Brasil possui o maior rebanho de búfalos do Ocidente e o Pará possui o maior país e um dos melhores em qualidade. O Brasil é reconhecido pela excelência no desenvolvimento genético das raças bubalinas.
“O búfalo é o animal do futuro. O leite de búfala rende mais derivados -manteiga, queijo e doces -, que são de melhor qualidade em função da sua composição. A carne é mais nutritiva e saudável do que a carne bovina, tem 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura, 55% menos calorias, 11% mais proteína e 10% mais minerais”, acrescenta Eduardo Daher.
Fonte: Pará Negócios
http://www.paranegocios.com.br/anterior_cont.asp?id=2510
